quarta-feira, 17 de junho de 2026

 

Colunista social

           Hoje já não existe colunista social. Já não há espaço  para um Ibraim Sued ou um Clodovil:
              “Madame fulana, chiquérrima na festa beneficente de Lulu Monteiro”
                Se as festas beneficentes continuam até hoje eu não sei, mas se existisse a coluna social as notícias seriam mais ou menos dessa maneira:
             “Fulaninha da alta está com tornozeleira eletrônica e passará um bom tempo enclausurada na casa de praia em Búzios”
            “O Senador D , em entrevista a nossa coluna disse estar indignado com as calúnias que vociferam contra ele. Para amainar a situação, resolveu dar uma grande festa para a nata da alta sociedade. Além de dizer que é calúnia o que dizem dele, disse que talvez essa seja a última festa ante de passar uma boa temporada no Presídio da Papuda”
            Pelo menos, em certas coisas estamos evoluindo. O Dom Ruan já não existe. O que existe é o tarado mesmo. O crime passional, muito citado nas colunas de antigamente, agora virou crime de ódio.
            As coisas estão evoluindo. Talvez daqui a alguns milênios a gente consiga viver em paz.

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