sábado, 6 de junho de 2026

Quero ficar quieto

            No saguão do Hotel eu sentei-me em uma poltrona de couro e fui me afundando, afundando... Aquilo parecia não parar nunca. Quando finalmente eu estava lá embaixo, um hóspede, sentado ao meu lado, puxou assunto. Ele queria saber se eu estava a negócio ou a passeio. Disse-lhe que estava a passeio. Teria vindo para matar a minha companheira, o que acabara fazer.
            Ele me olhava assustado e eu continuei dizendo que, como estava mal-intencionado, tomei toda as providências para que aquilo fosse interpretado como suicídio. Disse também que não demorava muito para eu voltar ao quarto e sair apavorado, aos berros, dizendo que a minha companheira acabara de se suicidar. As pessoas tinham que me ver ali enquanto ela se suicidava.
            O homem ficou desconcertado e logo saiu. Pouco depois o vi confidenciando algo ao atendente. Mal sabe ele que eu não tenho companheira e que estou desesperado à procura de uma.

 

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