O conspícuo
É isso! Um animal racional: o homem. O nosso personagem nasceu... Não, assim, não. Eu tenho que achar um lugar bem bonito e prepara-lo para receber o nosso conspícuo.
Então vamos lá: pode seu um parque, um prado gramado, florido, encantado. Pode ser um jardim cheio de rosas vermelhas, um descampado verde, um chão florido, amarelo, como se tudo fosse uma só flor.
Era tudo muito lindo, tudo muito bem cuidado pela natureza. Borboletas coloridas brincavam entre as flores, pássaros voavam cantando alegremente. O barulho da cachoeira, o zunir das abelhas, as águas claras, o peixe nadando, a sombra das árvores, a paz.
À noite, as estrelas, a lua e os vagalumes clareando a mata. Este é o lugar para se colocar o nosso personagem.
Ele chega observando, curioso. Empurra para o lado as folhas que atrapalham os seus cabelos. Cabelos lisos, partidos ao meio. Cabelos empastados, bigode fino, olhar de pantera, observando as oportunidades.
Sem demora ele arranca agressivamente as folhas das árvores, pisa nas flores, come os peixes e ascende fogo à noite impedindo-o de enxergar as estrelas. Depois constrói um grande empreendimento sobre as flores e o riacho, tudo com a intenção de acumular o máximo nessa vida como se depois da morte fosse ainda usufruir de tudo.
Este é só um dos personagens. Existem outros fazendo igual ou pior. Isso já vem de longa data, mas felizmente estão chegando ao fim, juntamente com as paisagens bucólicas e toda a terra.
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