Ilustração: Nerino de Campos
Texto: Nerino de Campos
Subsecretário: Nerino de Campos

segunda-feira, 30 de julho de 2012


Dura Realidade
Tomado por uma grande necessidade de liberdade, saí, atravessei a cidade, e me situei num campo florido, até que um enxame de abelhas me levou para a praia, deixando-me a contemplar pernas roliças, seios firmes e bem delineados de lindas moças, e no momento em que essas moças começaram a tirar os seus biquínis, tentando delicadamente esconder o sexo, apesar de seus olhares insinuantes, e eu já sentindo um princípio de ereção, ouvi o barulho da portinha se abrindo e vi a panela com um caldo marrom sendo jogada cárcere adentro, trazendo-me, imediatamente, para a realidade.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Um tiro certeiro acertou um certo sujeito chamado João. João caiu de bunda no chão, mas o tiro que levou não acertou sua bunda, e sim, sua mão. O tombo foi de susto e João, quando se levantou, pegou a mão com a outra e fez uma careta. Como não havia ninguém olhando, parou de fazer careta e levou sua mão para o hospital. Só faltava mancar de tanta carência afetiva. Sua mãe não estava lá para dar-lhe um beijinho e afagar-lhe os cabelos. Seu pai não estava lá para enfiar-lhe a mão a cara, dizendo que homens não choram. Sua mulher não estava lá para fazer um escândalo e desmaiar ao se deparar com aquela mão ensangüentada. E lá ia João, pensando, e agora já mancando, mancando e chorando, chorando e s’amando, s’amando e sarando, sarando e se lembrando que sarado a vida e outra, mais dura, mais difícil de se levar, mais difícil de aguentarrrrrrrrrrrrrg.