Ilustração: Nerino de Campos
Texto: Nerino de Campos
Subsecretário: Nerino de Campos

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O jazz é poesia. Muita gente não entende poesia, detesta jazz. Indiferente a tudo isto o jazz vai seguindo o seu caminho. O saxofone tocando lento, o baixo entrando sem ser chamado, a bateria, de mãos dadas com o piano que sussurra um ritmo, e como se não bastasse, a voz de um cantor desafiando o imprevisto. Quando você acha que o tom vai subir, desce. Quando acha que vai descer, diminui. Quando você acha que acabou, começa... E lá vai o sax: FÔÔÔ... e a bateria: TU, TU, TUTAK, e: PLIM, PLIM, PRUOOOOOOOMMMMMM, o piano. O baixo também tem sua personalidade: TGUM, TGUM, TGUM...

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A Mosca e Eu A vontade aumentava e eu ia blasfemando a fragilidade humana, essa necessidade de ingerir, digerir e excluir. Ingerir às vezes sem necessidade, como se aproveitando o máximo da derradeira refeição, e logo em seguida, excluir; se bem que poucas vezes em situações inusitadas como a que eu me encontrava: caminhando, suando, blasfemando, mas impossibilitado de tomar uma atitude. Entrei numa lanchonete. Não havia banheiro. Pelo menos não havia uma porta fora do balcão que se pudesse julgar ser um banheiro. Lembrei-me dos lotes vagos que existiam na cidade. Talvez uma moita e algumas folhas me fossem de grande utilidade naquele momento. Apertei o passo em direção ao meu apartamento. Parei de blasfemar e passei a pensar em Neurocirurgia Estereotáxica. Não adiantou! No elevador, que felizmente estava vazio, uma mosca rodeou a minha calça branca, talvez procurando uma maneira de ingerir o que eu acabara de excluir.