Ilustração: Nerino de Campos
Texto: Nerino de Campos
Subsecretário: Nerino de Campos

sábado, 29 de janeiro de 2011

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011


A maioria de nós quer chorar e não consegue. Se isso acontecesse ao mesmo tempo, as lágrimas inundariam o mundo e talvez um grande momento de sensibilidade superaria os momentos de aflição em que vivemos. Eu não consigo chorar, portanto estou predestinado à aflição, mas não fico aflito lá, quieto no meu canto. Tento compartilhá-la com as pessoas que me cercam. Elas que me perdoem!...

domingo, 23 de janeiro de 2011


Imagino-me em um filme, eu o ator, o criador, o diretor. Fácil viver lá dentro. Lá eu não tenho medo, eu represento o medo. Eu posso estar andando nos becos mais sórdidos e de repente ser hostilizado por um grupo de viciados. Minha reação pode ser infinita: Posso me impor, lutar até a morte, posso usar como arma a retórica, depende do texto, posso sair dali sem que ninguém me veja, posso até morrer que nada vai mudar. Eu não vou morrer mesmo. No fim eu troco de roupa e vou-me embora. Se não existisse a morte nós viveríamos eternamente dentro de um filme, sem medo, sem angústia, mas também, o nosso tédio seria bem maior.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011


O tempo tem lá a sua maneira de enganar as pessoas. Distrai-nos com os acontecimentos, os mais maravilhosos ou os mais escabrosos. Nós estamos sempre distraídos com coisas boas e ruins. Enquanto isso o tempo vai passando e quando a gente se assusta, lá se foram os fios de cabelo, os desejos íntimos, e a gente passa a correr com o tempo, agora, conscientes dele, agora, tentando superá-lo, mas sabendo que nada conseguirá dominá-lo