Ilustração: Nerino de Campos
Texto: Nerino de Campos
Subsecretário: Nerino de Campos

sexta-feira, 28 de maio de 2010

/>Cheguei até a janela. As nuvens borbulhavam e eu previ o caos lá fora também. Voltei para o quarto e comecei a limpar o sangue na cama. Quanto mais eu tentava limpar, mais espalhava sangue pelo lençol, colcha e travesseiros. De repente, ela saiu do banheiro. Parara de chorar e logo me olhou sorrindo. Depois embolou tudo que estava sobre a cama, colocou num canto do quarto, cobriu a cama com um lençol novo que pegara no armário, deitou-se e ficou a me esperar, agora, já com um sorriso de mulher.

quarta-feira, 26 de maio de 2010


Poder
Segui o rebanho. Quando assustei estava preso a pequenos delitos e logo me incorporei a eles, como todos fazem. A partir daí, minha carreira deslanchou. Como se chutando folhas secas para abrir o caminho, fui eliminando obstáculos, até que ninguém mais, de sã consciência, ousou interferir no destino traçado por mim, porém, uma prostitutazinha de quinze anos, fruto de uma aventura inconsequente, apoiada por participantes de uma organização internacional, resolveu me enfrentar no parlamento, trazendo-me para esta cela especial da Polícia Federal.

domingo, 23 de maio de 2010

terça-feira, 18 de maio de 2010


O Celestial Sorriso da Ira
Mascando sal, subi a ladeira até o fundo do poço, encontrando pedras moles que espremi tirando gotas de madeira. Distraído, deitei-me num campo coberto de formigas e fiquei a pintar jabutis. O sol queimava-se no belo horizonte (argh!) e eu me aqueci com um cobertor de vidro. Quando o pássaro chegou, com o seu lindo bastão de calha, tive de atirar, matando-me para a sorte. Sem coragem de me penitenciar, contraí um dos meninos e corri até onde o alcance da vista superou, obtendo informações da jovem quadrúpede. Mais tarde, quando as bolhas se desfizeram em advertências, suportei todas as inconfiabilidades, até pisar em uma cabeça de mármore gelatinosa. Foi assim que o tubo de sabão de pedra escorregou entre a vasta cabeleira de um eunuco, trazendo para o meu lado o arrependimento de não ter sabido dominar o impulso da degustação. Quando a brasa da manhã ardia com a lua, mastiguei dois pedaços de lente embaçada e me vi trincado entre a necessidade de expandir e o desejo de desvirtuar. O sentido de observação se aprimorou, e eu consegui saltar o riacho, mas logo me deparei com dois demônios brancos, que me propuseram: um, uma orla semi-poluída, e outro um arquétipo de nó. Tentando entender melhor aquele trovão, cortei uma das orelhas de um crocodilo e costurei-a no rabo de uma cotovia, que gritou até estilhaçar a já sensível camada que protege a terra das tormentas boreais. A partir de então, só quem não se dava com cadeira de balanço, conseguia argumentar com o celestial sorriso da ira. Quanto mais se eletrificava o desejo de reagir, mais correlação de sulco escorria pelos dedos calosos. A bolha, agora, estendia-se pelo travesseiro e dominava grande parte do esôfago. Nada que se tentasse, com relação ao prosaico mundo das traineiras, seria compensador, uma vez que o manicômio estava restrito a benditos eclesiásticos.

domingo, 16 de maio de 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

sábado, 8 de maio de 2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010


MOTO-CONTÍNUO

Cada macaco no seu galho,
Cada galho na sua árvore,
Cada árvore no seu chão,
Cada chão na sua terra,
Cada terra no seu sistema solar,
Cada sistema na sua galáxia,
Cada galáxia a sua Via Láctea,
Cada Via Láctea na cabeça de cada um,
Cada um na sua casa,
Cada casa com seus carros,
Cada carro com seu dono,
Cada dono com seus problemas,
Cada problema com seu bobo,
Cada bobo como um macaco no seu galho,
Cada galho...

sábado, 1 de maio de 2010