Ilustração: Nerino de Campos
Texto: Nerino de Campos
Subsecretário: Nerino de Campos

sábado, 27 de fevereiro de 2010



A cassiterita é uma coisa que costuma aparecer na cabeça da gente sem que se saiba sequer o seu formato, a sua cor. É claro que depois se descobre que é um mineral óxido de estanho (SnO2), geralmente opaca, sendo translúcida quando em pequenos cristais, com cor púrpura, preta, castanho-avermelhada ou amarela. Cristaliza no sistema tetragonal, com hábito prismático ou piramidal, mas quando a gente assusta, tá com isto na cabeça, porque a cabeça, às vezes, fica vazia e vai dando aquele branco, e não vai saindo nada, e vai dando uma raiva porque todo mundo deveria ter boas idéias o tempo todo, e não somente quando está fazendo uma caminhada numa trilha, sem caneta e sem papel, e dá vontade de escrever numa folha de árvore com um graveto, mas isto é outra história, que não será contada hoje. Por isso que eu digo: quem nasceu para pé de cabra, pé de chinelo, pé de ouvido, pé de moleque, pé de briga pé de galinha, pé de pato, pé chato, pé de porco, nunca chega a mão leve, mão boba, mão mecânica, mão estendida.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010




Sim

— Sim — eu disse, diante da insistência de Helenice por uma resposta, mesmo que negativa.
Eu não queria ter dito sim, eu não deveria. Estava me odiando naquele momento por ter pronunciado aquela palavra. Até aquele momento eu não sabia que ainda restava algo entre nós, que me levara a dizer aquilo.
— Então eu vou desfazer as malas — ela disse, arrastando duas enormes malas para o quarto.
Eu aceitei a minha derrota e fiquei um bom tempo fumando na sala, remoendo mágoas, e quando ela me pediu, ainda do quarto, para que eu guardasse as malas vazias, enquanto tomava um banho, senti um princípio de ereção, e poucos minutos depois, me despi e passei a esperá-la deitado na cama.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010


Um dia nascendo sem nada de novo. Um homem morrendo, matando o seu povo, uma chuva forte, um sol que atrapalha, um grito de morte, possessão que valha. Um momento alegre passa sem se ver, pra uma vida breve, basta se nascer. Um dedo indicando qualquer coisa errada, um sábio chorando por não saber nada Um burro pastando, um rato a roer. Um boi ruminando pra poder viver. E o mundo girando, querendo girar. E os homens passando sem querer passar.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010