Eu não me sinto tão repulsivo
Eu estava em um bar, numa mesa da calçada. Quando as
pessoas passavam eu, invariavelmente, as olhavam, não por interesse, mas por
não ter para onde olhar. Passou uma mulher. Eu a olhei. Ela fez cara de nojo.
Eu não me sinto tão repulsivo. Passou outra e eu não a olhei. Fiz um esforço
danado para olhar para o copo, para a mesa, mas não a olhei. Depois eu não
aguentei e dei uma espiadinha. Por coincidência ela olhava para mim. Eu logo
desviei os olhos e ela também. Eu não queria olhar, mas não aguentei. Ela
queria ser olhada e deve ter estranhado a minha recusa. Ela queria ser olhada
para fazer uma cara de nojo e sair como se aquilo a tivesse desagradado.
Depois disso eu olhei para várias outras pessoas e várias mulheres que fingiram não perceber. Algumas perceberam; algumas até sorriram e eu continuei com a brincadeira descompromissada, até me fartar daquilo tudo e pegar o meu rumo.
Depois disso eu olhei para várias outras pessoas e várias mulheres que fingiram não perceber. Algumas perceberam; algumas até sorriram e eu continuei com a brincadeira descompromissada, até me fartar daquilo tudo e pegar o meu rumo.
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