👹 Eu acho um absurdo ateu participar de feriado religioso!
quinta-feira, 4 de junho de 2026
terça-feira, 2 de junho de 2026
O script
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Álbuns
Fui tomado por uma nostalgia que me fez pegar todos as álbuns de retratos da casa, abrir uma garrafa de vinho e viajar para o passado. Fui rejuvenescendo a cada álbum e constatei, com muita tristeza, que todos os ´eu” que estavam ali deixaram estampado um momento de alegria para a posteridade, e que daqui a algum tempo eu estarei contemplando o meu retrato de hoje com tristeza e nostalgia.
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Agressividade
A sua agressividade tira todo o seu encanto. Resolvi me levantar e me mudar de cadeira, permanecendo na mesma mesa. Com isso, mudei completamente o meu campo de visão, antes que aquela agressividade tóxica viesse acabar com a minha tranquilidade.
terça-feira, 12 de maio de 2026
Reviver, imaginar
O
futuro é uma tela em branco. O passado é uma tela cheia de informações, muitas
delas que jamais queremos reviver, mas insistimos em entrar nela para reviver o
que já não tem importância. Fazemos isso porque a tela que tem valor, a que
está acontecendo agora está muito complicada, muito confusa, e a gente foge
para o passado ou para o futuro, numa tentativa de não viver a amargura desse
indigesto presente.
sábado, 9 de maio de 2026
quarta-feira, 6 de maio de 2026
sábado, 2 de maio de 2026
Otimismo com restrições
Uma criança brinca na lama após a enxurrada, e sua mãe, apesar de preocupada, olha admirada para aquela criança feliz
Olhei para o céu e vi uma nuvem com aspecto de raposa. Procurei os carneirinhos e não encontrei nenhum. No céu também os animais devem ter o instinto de sobrevivência. Acho que estão todos os carneirinhos no estômago da raposa.
Estou tomando cerveja, escrevendo, e isso é a felicidade.
quarta-feira, 29 de abril de 2026
Depois disso eu olhei para várias outras pessoas e várias mulheres que fingiram não perceber. Algumas perceberam; algumas até sorriram e eu continuei com a brincadeira descompromissada, até me fartar daquilo tudo e pegar o meu rumo.
sábado, 25 de abril de 2026
Duas pessoas passaram aqui antes, e agora estão voltando. Elas também estão coloridos. Elas já estavam quando passaram e eu não percebi. O restaurante, do outro lado da rua, visto daqui é lindo, com sua iluminação indireta. O contraste das toalhas vermelhas com as roupas das pessoas jantando parece algo planejado. Tudo parece um grande cenário. Se estivesse chovendo, estaria tudo ainda mais colorido. O reflexo das luzes no chão duplicaria a claridade.
Daqui a pouco eu voltarei a não ouvir e ver as coisas em preto e branco como todos vêm. Este insight de sensibilidade deveria durar mais, mas infelizmente as cidades, com todos os seus barulhos e cores, só nos proporcionam esses pequenos momentos de felicidade.
Claro que depende muito da pessoa querer.
quarta-feira, 22 de abril de 2026
domingo, 19 de abril de 2026
quinta-feira, 16 de abril de 2026
segunda-feira, 13 de abril de 2026
sábado, 4 de abril de 2026
quarta-feira, 1 de abril de 2026
sexta-feira, 27 de março de 2026
Sempre que eu faço uma pintura, ao terminar, escrevo minhas considerações para entender o que fiz e dar um nome para a tela.
O
Arlequim tocando flauta
56 X 76 cm
2012
Nesse quadro eu trabalhei com várias camadas de tinta a
óleo antes de chegar ao resultado final. Trata-se de uma exposição de arte,
onde o artista - Arlequim - personagem
da Comédia Dell’arte, cuja função se restringia a divertir o público durante o
intervalo dos espetáculos, se esconde no Arlequim para não ser confundido com o
idiota da aldeia. Diz a lenda que quando uma pessoa come o coração do Arlequim
(experiência estética) essa pessoa se transforma em Arlequim, e o artista se
preocupa com a imagem que passará para o público.
quarta-feira, 25 de março de 2026
sábado, 21 de março de 2026
Solidão
fagueira
Estou deitado de barriga para cima. Sobre o meu corpo há um lençol branco com listas bege, bem clarinhas. Meus braços estão fora do lençol.
Vem passando sobre o taco do quarto uma aranha caranguejeira. Ela deve medir uns 20 cm. Eu não usei uma régua para medi-la, mas se o meu palmo tem 22 cm, é fácil concluir que ela mede 20 cm. Ela é marrom escura, muito peluda e bonita.
Agora ela sobe pelo pé da cama. Vem vagarosamente sobre o lençol. Está subindo pelo meu braço. Passou pelo ombro, pescoço e se acomodou sobre minha boca. Ela gosta de passar a noite ali, pouco abaixo do meu nariz. O ar morno que eu exalo, logo após uma expiração, a conforta durante o seu sono.
Uma lesma passou pela sala enquanto eu me distraia com a aranha. Eu sei que ela passou porque a luz do rádio na sua gosma proporciona um espetáculo, como se estivéssemos olhando para um arco-íris. Ela sobe vagarosamente pelo pé da cama. Entrou por debaixo do lençol e se dirigiu para a minha barriga. Ela gosta de passar a noite ali: subindo e descendo no embalo da minha respiração.
Uma centopeia ocupa seu lugar sobre o lençol. Centopeias são carnívoras e eu não as deixo se aproximarem. Já está de bom tamanho se aconchegam na minha cama.
Agora vêm as quatro baratas. Há muito tempo que vêm essas quatro. Depois que todos estão acomodados elas chegam apressadas e se alojam numa cavidade entre a minha cabeça e o travesseiro. As quatro se embolam ali. Parece uma suruba, mas eu não sei se é uma família: pai, filho, filha; então eu não vou nem julgar.
Há algum tempo eu estou aqui quietinho para não incomodar os meus companheiros. Parece que eles dormiram bem à noite. O dia está amanhecendo e entra pela janela uma luz cinza amarelada.
A aranha é sempre a primeira a partir. Quando ela se levanta, suas patas roçam o meu nariz causando uma insuportável coceira. A centopeia passa apressada pela sala enquanto a lesma desce vagarosamente sobre o pé da cama.
As baratas saíram da caverna. Elas esperam a aranha ir embora. São inimigas mortais e sempre que se encontram, brigam ferozmente. Apesar de serem em maior número, as baratas não superam a força da aranha. Elas sabem que eu não gosto que briguem, portando esperam a aranha partir para poderem ir embora.
Agora eu ajeitei o lençol, deitei virado para o lado esquerdo e posso relaxar, sem perigo de causar algum transtorno aos meus amigos. O dia se inicia e com ele, toda lépida e fagueira, vem também a minha solidão.
quarta-feira, 18 de março de 2026
domingo, 15 de março de 2026
Bela e feliz como todo mundo
Todos nós ansiamos a beleza suprema, a felicidade suprema, a saúde suprema. Você pode ser feia como um camelo, mas se esmerar diante do espelho para se sentir bela e feliz como todo mundo. Se você, ao sair, se acha assim, isso basta.
sábado, 7 de março de 2026
quarta-feira, 4 de março de 2026
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Alguns podem achar que eu sou louco, ou um sonhador. Sonhador eu sei que sou, de devaneios estranhos, portanto acho que a música “Imagine” de John Lennon é um grande exercício para a imaginação, com uma grande força metafísica e cosmológica. Quanto mais pessoas imaginarem um mundo melhor, mais probabilidade haverá de uma grande mudança.
Imagine que não exista paraíso. É fácil se você tentar. Nenhum inferno sobre nós, acima de nós, apenas o céu. Imagine todas as pessoas vivendo o presente. Imagine que não há países. Não é difícil. Nenhum motivo para matar ou morrer e nenhuma religião também. Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz. Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único. Eu espero que algum dia você se junte a nós e o mundo será um só. Imagine que não existam posses. Eu me pergunto se você consegue, sem necessidade de ganância ou fome, uma irmandade dos homens. Imagine todas as pessoas compartilhando o mundo inteiro. Você pode dizer que sou um sonhador, mas eu não sou o único. Eu espero que algum dia você se junte a nós e o mundo viverá como um só.
sábado, 21 de fevereiro de 2026
Belo
Horizonte
Onde
está o belo horizonte, que já encantou a ponto de virar nome de cidade? Onde
está o sol vermelho do poente, que eu procuro da porta do meu prédio, escondido
entre vários outros prédios? Somos brindados com pequenas frestas de horizonte,
que ao final da tarde, na rua Sapucaí, todos contemplam
deslumbrados esse modesto pôr do sol, já acostumados ao pouco que lhes é
oferecido.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Conceito e lama
Atento às insignificâncias, me desprendi do conchavo com as aparências e me joguei, viajando por bilhões de anos luz, sempre observando conceitos espúrios, e quando voltei, enlameado daquilo tudo, consegui entender que, conceito e lama andam de braços dados, e que conchavo e aparência nos transformam naquilo que os outros querem que a gente seja.
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Moto-contínuo
Cada macaco no seu galho, cada galho na sua árvore, cada árvore no seu chão, cada chão na sua terra, cada terra no
seu sistema solar, cada sol na
sua galáxia, cada galáxia a sua
Via Láctea, cada Via Láctea na
cabeça de cada um, cada um nas
suas casas, cada casa com seus
carros, cada carro com seu dono,
cada dono com seus problemas, cada problema com seu bobo, cada bobo como um
macaco no seu galho, cada
galho...
sábado, 31 de janeiro de 2026
Velório II
Às vezes eu sinto que eles levam certa vantagem sobre as pessoas que ali estão, pois, já têm a experiência da morte e as pessoas não. Eles já podem estar envolvidos com outras maneiras de ser, ou com o nada absoluto, com o descanso total, com o descanso que não tem graça.
De certa forma eu prefiro estar ali vivo, adquirindo mais experiência em vida não sei para quê.
Esta é a minha vantagem.
domingo, 25 de janeiro de 2026
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
sábado, 17 de janeiro de 2026
Morrer como todo mundo
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
sábado, 3 de janeiro de 2026
sábado, 27 de dezembro de 2025
Música antiga
Essa sensação agradável, como se a vida voltasse a ser o que era, durou muito pouco, e apesar de ter me remetido a um maravilhoso lugar do passado, não foi capaz de me segurar lá, devolvendo-me violentamente para a minha dura realidade.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
sábado, 20 de dezembro de 2025
Imaginação
Minha mãe bateu na porta do quarto. Eu caí.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
A Grande viagem
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
domingo, 30 de novembro de 2025
Frutos
Dizem
que a verdade produz frutos. Se for assim a mentira também produz. A falsidade,
a inveja, tudo produz frutos. Portanto pode-se considerar que o fruto da mentira
pode ser um jiló disfarçado de maçã. O da falsidade, uma pera palatável por
fora e podre por dentro e o fruto da inveja, uma banana nanica querendo ser
caturra, e o fruto da verdade
pode ser um lindo suco de frutas numa manhã de verão, principalmente se for
hoje, que está quente pra caramba.
quarta-feira, 26 de novembro de 2025
O preço da liberdade
A
formiga subia apressada pela porta do teatro. Eu admirava a sua capacidade de
se locomover na vertical. Chegando no teto, ela seguiu para a esquerda. Na
quina da parede, se enroscou numa teia de aranha. A porta do teatro se abriu.
Eu segui a fila e a formiga ficou lá, embaraçada, pagando pelo excesso de
liberdade.
domingo, 23 de novembro de 2025
quarta-feira, 19 de novembro de 2025
A máquina desarvorou
Procuro livrar-me do eu, tento e vou caminhando, fica escuro, tudo breu, eu continuo tentando.
Agora eu não vou pensar, o que vier sairá, não quero saber de rima, tampouco do que virá.
Grito sem pensar no ato, prego no gato o martelo, cuspo na cara do pato, mijo no cogumelo.
Não gosto de fazer rimas, rusga rica rasga a rua, porra louca, bica fria, me entrego à mente nua.
Parece que tudo parou, eu não ouço o meu clamor, não sinto nada, nem dor, não sinto o cheiro da flor.
O mundo ficou vazio, entrando só um clarão, eu começo a sentir frio, um frio em combustão.
Ironia do destino, hoje a regra é concisão, foge, foge, sai correndo, não se arrisque em confusão.
Não sei se como um porvir, não sei se durmo acordado, sinto que morei aqui, sinto que morei ao lado.
Até aí, tudo bem, tudo certinho também, Isso aqui é uma bosta, uma bosta de neném.
quinta-feira, 13 de novembro de 2025
sábado, 8 de novembro de 2025
quarta-feira, 5 de novembro de 2025
domingo, 2 de novembro de 2025
A palavra se revela
A palavra se revela, eu me arrepio no chão. Pretendo brigar com ela, destravo a foice e o facão. É quando tudo desliza, ideias cortam o clarão: palavra, mente, pesquisa, tudo brotando da mão. A claridade harmoniza, o asco, o isto, a noção, tudo parece que brilha, até concluir, solidão
quinta-feira, 30 de outubro de 2025
O Tempo II
Enquanto isso o tempo vai passando e quando a gente se assusta, lá se foram os fios de cabelo, os desejos íntimos,
e a gente passa a correr com o tempo, agora, consciente dele,
agora, tentando superá-lo, mas sabendo que nada conseguirá domá-lo