Confissão
Não foi bem assim que a coisa aconteceu, mas para amenizar a
minha situação diante da justiça, fui obrigado a inventar tudo aquilo. Agora,
arfando aqui no leito de morte, necessito dizer que naquele dia, apesar do ódio
que sentia por Luiza, não tinha intenção de matá-la, a não ser que ela
estivesse com o amante naquele momento, no entanto, ao passar frente ao
banheiro, notei que ela tomava um banho de espuma. Ao seu lado, numa pequena
mesa de armar, um abajur aceso, uma garrafa de vinho Rubesco Torgiano, com uma
taça pela metade, e algumas planilhas que ela pretendia analisar. Eu entrei e
caminhei em sua direção. Ela sorriu e me chamou, estendendo os braços. Eu
também sorri, e ao virar-me, esbarrei propositadamente com o cotovelo no
abajur, empurrando-o para dentro da banheira. Depois esperei que Luiza acabasse
com aqueles horríveis solavancos, para sair desconsolado a procura de ajuda.
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