Sempre que eu faço uma pintura, ao terminar, escrevo minhas considerações para entender o que fiz e dar um nome para a tela.
O
Arlequim tocando flauta
Nesse quadro eu trabalhei com várias camadas de tinta a
óleo antes de chegar ao resultado final. Trata-se de uma exposição de arte,
onde o artista - Arlequim - personagem
da Comédia Dell’arte, cuja função se restringia a divertir o público durante o
intervalo dos espetáculos, se esconde no Arlequim para não ser confundido com o
idiota da aldeia. Diz a lenda que quando uma pessoa come o coração do Arlequim
(experiência estética) essa pessoa se transforma em Arlequim, e o artista se
preocupa com a imagem que passará para o público.
Solidão
fagueira
Bela e feliz como todo mundo
Alguns podem achar que eu sou louco, ou um sonhador. Sonhador eu sei que sou, de devaneios estranhos, portanto acho que a música “Imagine” de John Lennon é um grande exercício para a imaginação, com uma grande força metafísica e cosmológica. Quanto mais pessoas imaginarem um mundo melhor, mais probabilidade haverá de uma grande mudança.
Imagine que não exista paraíso. É fácil se você tentar. Nenhum inferno sobre nós, acima de nós, apenas o céu. Imagine todas as pessoas vivendo o presente. Imagine que não há países. Não é difícil. Nenhum motivo para matar ou morrer e nenhuma religião também. Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz. Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único. Eu espero que algum dia você se junte a nós e o mundo será um só. Imagine que não existam posses. Eu me pergunto se você consegue, sem necessidade de ganância ou fome, uma irmandade dos homens. Imagine todas as pessoas compartilhando o mundo inteiro. Você pode dizer que sou um sonhador, mas eu não sou o único. Eu espero que algum dia você se junte a nós e o mundo viverá como um só.
Belo
Horizonte
Onde
está o belo horizonte, que já encantou a ponto de virar nome de cidade? Onde
está o sol vermelho do poente, que eu procuro da porta do meu prédio, escondido
entre vários outros prédios? Somos brindados com pequenas frestas de horizonte,
que ao final da tarde, na rua Sapucaí, todos contemplam
deslumbrados esse modesto pôr do sol, já acostumados ao pouco que lhes é
oferecido.
Conceito e lama
Atento às insignificâncias, me desprendi do conchavo com as aparências e me joguei, viajando por bilhões de anos luz, sempre observando conceitos espúrios, e quando voltei, enlameado daquilo tudo, consegui entender que, conceito e lama andam de braços dados, e que conchavo e aparência nos transformam naquilo que os outros querem que a gente seja.
Moto-contínuo
Cada macaco no seu galho, cada galho na sua árvore, cada árvore no seu chão, cada chão na sua terra, cada terra no
seu sistema solar, cada sol na
sua galáxia, cada galáxia a sua
Via Láctea, cada Via Láctea na
cabeça de cada um, cada um nas
suas casas, cada casa com seus
carros, cada carro com seu dono,
cada dono com seus problemas, cada problema com seu bobo, cada bobo como um
macaco no seu galho, cada
galho...
Velório II
Morrer como todo mundo