Ilustração: Nerino de Campos
Texto: Nerino de Campos
Subsecretário: Nerino de Campos

terça-feira, 27 de setembro de 2011


(Re.)
Ela já se foi, só eu permaneço nesta sala imensa, irritado com o eco de pequenos barulhos que faço ao movimentar a perna para evitar dormência. Estou sentado no chão, a contemplar algumas contas do colar que partira na hora da agressão. São falsas contas, como já é falso, há muito tempo, o nosso relacionamento. Eu já não me importo com as suas indiscretas e infrutíferas tentativas de se envolver com a juventude, porém, a juventude tenta discretamente se envolver comigo. Isso faz com que ela adquira, nas suas expressões e atitudes, um desejo de esmagar o mundo, uma necessidade de destruir o belo, uma fúria incontida, que hoje culminou numa cena patética, fazendo com que os convidados, inclusive o pivô da discussão, que eu espero rever em breve, saíssem discretamente, me deixando aqui sentado, tentando gastar, até a última gota, a resistência inata do ser humano de tomar uma atitude quando o assunto é a separação.

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