Ilustração: Nerino de Campos
Texto: Nerino de Campos
Subsecretário: Nerino de Campos

quarta-feira, 20 de abril de 2011


Cadeira de Rodas (Re.)

Doutor, não tente me animar. Da bengala ao par de muletas, convenhamos... Estou regredindo; ou melhor, estou evoluindo para a morte.
Evoluindo para a vida seria da muleta à bengala, da bengala ao andar descompassado, e deste, ao corpo aprumado. Seria admirar as rugas se desfazendo com o tempo, os espaçados fios de cabelos brancos cedendo lugar a uma vasta cabeleira e as varizes sendo desmanchadas da minha anatomia.
Evoluindo para a vida seria sentir os lábios enrijecendo, a arcada dentária se recompondo, e o sexo a me conduzir para fantasias alucinantes. Para mim, evoluir, hoje em dia, seria mudar de corpo, de rosto, de gestos, para melhor, e não, passar a viver na expectativa da mudança do par de muletas para a cadeira de rodas.

2 comentários:

  1. Tens razão: evoluir seria retornar ao orgasmo que nos gerou.

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  2. Há um prazo de validade,para tudo.
    O ser humano não está imune ao prazo,e o sinónimo evoluir,deixa de fazer sentido.
    Ascensão e queda é a realidade!
    Reclamar?Ninguém pode.Resta aceitar,
    e se possível sorrindo!
    De Portugal,com sorrisos...
    Dilita

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