Ilustração: Nerino de Campos
Texto: Nerino de Campos
Subsecretário: Nerino de Campos

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011


Depois de receber o telefonema de um amigo, marcando um encontro para aquela noite, o rapaz correu até o canto da enorme sala da sua casa, abriu os braços, ficou na ponta dos pés, e depois, com o corpo apoiado em uma das pernas, estendeu a outra para trás. Estendeu também os braços: um para frente e o outro para trás, como se querendo que a ponta da mão esquerda, que estava para frente, ficasse o mais longe possível do pé direito, que estava para trás. Avançou pela sala na ponta dos pés numa sucessão de passos curtos e uniformes. Já quase perto da parede deu um tour em l’air, virando-se novamente para a porta. Depois deu um salto, acompanhado de cruzamentos rápidos e sucessivos das pernas, e correu novamente na ponta dos pés com um braço para a frente e o outro para trás. Seus movimentos eram delicados, e depois de vários baattus, brisées, fonettés, pás de bourrées e releves, olhou para a porta da sala e se deparou com o pai, segurando algumas sacolas de supermercado, olhando-o assustado. Ele também se assustou, e, imediatamente, caminhou com passos firme até a porta para ajudar o pai a levar as compras para a cozinha.

4 comentários:

  1. O corpo fala. Às vezes fala pelos cotovelos, incontinente. Franco, beira a imprevidência da denúncia.

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  2. Explosão de palavras inaudíveis em meio a alegria do momento.
    Adorei o blog. Sigo-te
    Um grande beijo querido amigo

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  3. Olá adorei teu blog, lindo mesmo. Parabéns. Fique a vontade para fazer uma visitinha ao nosso “Alto-falante” e seja mais um membro. Você é nosso convidado especial. http://poetarenatodouglas.blogspot.com/.
    Um grande abraço!

    Renato Douglas!

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