Ilustração: Nerino de Campos
Texto: Nerino de Campos
Subsecretário: Nerino de Campos

domingo, 23 de janeiro de 2011


Imagino-me em um filme, eu o ator, o criador, o diretor. Fácil viver lá dentro. Lá eu não tenho medo, eu represento o medo. Eu posso estar andando nos becos mais sórdidos e de repente ser hostilizado por um grupo de viciados. Minha reação pode ser infinita: Posso me impor, lutar até a morte, posso usar como arma a retórica, depende do texto, posso sair dali sem que ninguém me veja, posso até morrer que nada vai mudar. Eu não vou morrer mesmo. No fim eu troco de roupa e vou-me embora. Se não existisse a morte nós viveríamos eternamente dentro de um filme, sem medo, sem angústia, mas também, o nosso tédio seria bem maior.

Um comentário:

  1. São ônus da eternidade... Melhor então, sentir medo e angústias.

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