Ilustração: Nerino de Campos
Texto: Nerino de Campos
Subsecretário: Nerino de Campos

sexta-feira, 5 de novembro de 2010


Mesmo após a nossa separação ela continuava a me controlar. Sua presença era constante na minha vida e isso não deixava de ser uma forma de controle. Eu tentava me esquivar, sumia por uns tempos, mas ela sempre conseguia me encontrar. Nós não nos encontrávamos fisicamente. Ela aparecia, ora em um prato que eu pedia em um restaurante, ora na imagem de uma atriz famosa, ora emitindo seu cheiro no corpo de outra pessoa qualquer. Até na graça de um inocente cachorrinho de rua, que ela tanto gostava, aparecia para me controlar,
Um dia nós nos encontramos, Ela estava feliz, não sei por que, e eu, sofrido, não me expus. Ela me falou de sua vida, de seus projetos, e eu me senti tão insignificante diante daquela exuberância toda que descobri, naquele momento, que aquela solidão cósmica, aquela presença constante de um ser inexistente, só eu sentia, e que o melhor que eu tinha a fazer era aceitar a derrota e me iniciar novamente na arte da conquista, para, no fim, me envolver novamente com o fardo da separação.

5 comentários:

  1. Difícil...mas se serve de consolo, muitos já passaram por isso também! É nada mais nada menos que a dor (ainda) da paixão...mas um dia passa e vira só lembrança de um tempo bom!
    Abraços (consoladores)
    Lhú Weiss

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  2. "O envolver novamente
    e depois o fardo da separação"...

    Mas a época proporciona esta instabilidade.

    Aguardemos tempos melhores.
    Mas muitos "estão a passar por isso"...

    A história repete-se, espero que em muitos casos isso não aconteça, e tudo se transforma, mas por vezes, toma a imagem que já usou.

    Maria Luísa

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  3. Adorei o texto!
    Envolvente...
    Realmente a separação é algo difícil, e quando se ama tanto, um processo lento. Mas estar apaixonado...o amor em si, é tão bonito e intenso, que sempre vale a pena se arriscar e recomeçar este processo.

    Estou te seguindo!
    Grande abraço.

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