Ilustração: Nerino de Campos
Texto: Nerino de Campos
Subsecretário: Nerino de Campos

quinta-feira, 15 de julho de 2010


O Braço
Foi uma brusca freada, e eu, da varanda, de rosto franzido e olhos fechados, esperei por intermináveis segundos até que o carro parasse, e justamente neste espaço de tempo, ouvi um barulho seco, compacto, vindo do telhado, como se um saco de farinha tivesse sido jogado ali.
Olhei para cima e do lugar onde me encontrava vi apenas alguns dedos transpondo a quina da calha. Peguei rapidamente a escada e subi, na tentativa de salvar aquela criatura, porém, em cima do telhado só havia um braço acompanhando aqueles dedos inertes.
Desesperado, olhei para a rua e gritei, chamando as pessoas que pareciam procurar algo ao redor de um corpo já coberto com folhas de jornal.

2 comentários:

  1. Nerino, que sensação estranha sinto. Não consigo decifrar a personagem. Terá sido ela a jogar a outra? Estaria ela cega de desespero lá embaixo diante do desatino de outro?
    Personagem bem complexa. Adorei :)

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