Ilustração: Nerino de Campos
Texto: Nerino de Campos
Subsecretário: Nerino de Campos

terça-feira, 18 de maio de 2010


O Celestial Sorriso da Ira
Mascando sal, subi a ladeira até o fundo do poço, encontrando pedras moles que espremi tirando gotas de madeira. Distraído, deitei-me num campo coberto de formigas e fiquei a pintar jabutis. O sol queimava-se no belo horizonte (argh!) e eu me aqueci com um cobertor de vidro. Quando o pássaro chegou, com o seu lindo bastão de calha, tive de atirar, matando-me para a sorte. Sem coragem de me penitenciar, contraí um dos meninos e corri até onde o alcance da vista superou, obtendo informações da jovem quadrúpede. Mais tarde, quando as bolhas se desfizeram em advertências, suportei todas as inconfiabilidades, até pisar em uma cabeça de mármore gelatinosa. Foi assim que o tubo de sabão de pedra escorregou entre a vasta cabeleira de um eunuco, trazendo para o meu lado o arrependimento de não ter sabido dominar o impulso da degustação. Quando a brasa da manhã ardia com a lua, mastiguei dois pedaços de lente embaçada e me vi trincado entre a necessidade de expandir e o desejo de desvirtuar. O sentido de observação se aprimorou, e eu consegui saltar o riacho, mas logo me deparei com dois demônios brancos, que me propuseram: um, uma orla semi-poluída, e outro um arquétipo de nó. Tentando entender melhor aquele trovão, cortei uma das orelhas de um crocodilo e costurei-a no rabo de uma cotovia, que gritou até estilhaçar a já sensível camada que protege a terra das tormentas boreais. A partir de então, só quem não se dava com cadeira de balanço, conseguia argumentar com o celestial sorriso da ira. Quanto mais se eletrificava o desejo de reagir, mais correlação de sulco escorria pelos dedos calosos. A bolha, agora, estendia-se pelo travesseiro e dominava grande parte do esôfago. Nada que se tentasse, com relação ao prosaico mundo das traineiras, seria compensador, uma vez que o manicômio estava restrito a benditos eclesiásticos.

3 comentários:

  1. Olá!

    Eu também tenho 1 blog, chamado "Pardieiro da Tojeira". Pode parecer estúpido, devido à natureza do nome, mas de facto, a intenção do Pardieiro é criticar, de uma forma cómica, certos aspectos da sociedade actual e do modus vivendi dessa mesma sociedade.

    Gostámos do teu blog :)

    Queremos pedir-te 1 coisa: podes aceitar-nos como parceiros (embora não tenhamos quase nada a ver)?

    Nós faremos o mesmo e iremos promover o teu blog, esperando q promovas também o nosso.

    PS: O nosso link é: http://pardieiro.wordpress.com/

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  2. Nerinamigo

    Creio que te descobri no PANORAMA do nosso Luso de Carvalho. Vim até aqui e gostei. Primeiro que tudo, porque está muito bem escrito. E com muito sentido de humor - e de Amor... A miscelânea aqui ao lado é uma pequena maravilha. Parabéns!

    Bom, agora a pedinchice à boa maneira portuga (não se trata de peditório, nem de cacau, pilim, dinheiro: faz uma visitinha à Minha Travessa para veres quem sou e se gostas do blogue. Desde já to agradeço. O Pedrão e a Tais, esses, gostam...

    E se quiseres inscrever-te como meu (per)seguidor, isso então nem se fala...

    Abs

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