Ilustração: Nerino de Campos
Texto: Nerino de Campos
Subsecretário: Nerino de Campos

terça-feira, 5 de janeiro de 2010


A vida tem ido bem, apesar dos atropelos. Ontem eu fui atropelado por uma jamanta. Não foi nada grave. Fiquei sem três dedos do pé esquerdo, sem o pé direito (para ser mais preciso, da canela para baixo), sem o rim direito, perfurado pelo pára-choque da jamanta e uma parte da orelha, também direita. Como no atropelamento de anteontem eu já havia perdido a orelha esquerda, não liguei muito porque deu um certo equilíbrio no meu rosto sem nariz.
Parece mentira, mas a sorte, apesar de tudo isto, tem sorrido para mim. Outro dia eu estava andando na rua e olhei, sem querer, para uma janela, e lá estava ela, sorrindo, Ria que se mijava toda, e eu, meio encabulado, comecei a rir também: Há,há,há,há,há,há,há,há...Quaaa quaaa, quaaa, há,há,há,há,há,há.
Fiquei lá, parado, rindo e quando eu percebi que ela não estava rindo para mim, e sim rindo de mim, veio uma Kombi e PUFT! Fiquei sem quatro dentes da arcada superior direita e um bago, o esquerdo. O chato é que quando eu me acostumo a andar mancando, nasce novamente o pé. Quando eu me sinto feliz por não ter mais que cheirar a podridão espalhada no ar, nasce novamente o nariz.
A vida e cheia de perdas e ganhos.

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