Ilustração: Nerino de Campos
Texto: Nerino de Campos
Subsecretário: Nerino de Campos

domingo, 10 de janeiro de 2010


Eu tenho vários amigos. É gente de todo tipo, alguns esquisitos, mas são amigos: Um não gosta de pobre. De tanto eu dizer que pobre é gente, ele continua não gostando, mas agora sente pena. Outro não gosta de preto. Não gosta mesmo! Nem de japonês, nem de argentino. Acha que tem que matar todos eles. Outro é negro e não gosta de não ser gostado, e por isso, não gosta também de branco. Outro gosta de futebol e acha que o resto é bobagem. Outro; esse é um cara legal, é economista, só gosta de dinheiro e não gosta de futebol, negro, pobre, cachorro, arte, cultura. Não sei como que ele gosta da sua mulher. Outro é esnobe, mas não tem capacidade de esnobar. Tem um que se veste bem e vive se olhando no espelho. Outro tem vergonha do lugar onde mora. A outra usa saia curta e tem ódio quando alguém olha para o seu joelhão. A velha se pinta toda para parecer que tem a idade que tem. Um, de boa caligrafia, sai rabiscando o seu nome por muros e portões. Outro, muito forte e boa praça, quando dá um tapinha nas costa de alguém, costuma quebrar-lhe a clavícula. Tem ainda um que é mesquinho, avarento, usura, esconde as coisas dos outros. De manhã custa a cagar, porque a bosta significa um saco de ouro. À noite custa a dormir porque o sono é perda de tempo, e tempo é dinheiro. Outro, o normal, entra e sai sem que ninguém note e tem o gracista, que só consegue arrancar gargalhadas dele próprio.
ARG, IRG, URG.
E tem eu!

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